Eraserhead

Eraserhead (1977)

http://www.imdb.com/title/tt0074486/

A linha que separa a genialidade da loucura é bastante ténue e David Lynch é capaz de ser actualmente a melhor prova viva dessa frase cliché. E nada melhor do que a sua primeira obra para comprovar essa ideia.
Eraserhead (ou na sua grandiosa tradução portuguesa "No céu tudo é Perfeito") conta a história das dificuldades da parentalidade ou talvez seja apenas uma básica história de romance cliché de Hollywood contada pela mente de Lynch ou então nada disto que acabei de dizer.
E isto é um dos grandes pontos fortes de muitas das suas obras. Elas não são fáceis.... Ou seja, não saímos de lá a entender tudo o que se passa (a maior parte das vezes é o oposto), mas ao mesmo tempo saímos com vontade de discutir o que acabamos de ver prolongando com isto o prazer do filme.
Filmado totalmente a preto e branco (não me recordo se por escolha ou simplesmente por uma questão monetária), o filme tem uma grande cinematografia onde os momentos mais estranhos e alucinados (e neste filme eles são muitos) não causam estranheza e/ou quebram o ritmo da obra.
Os efeitos práticos utilizados são excelentes e ajudam bastante no ar irreal que a obra pretende (mais uma prova que muitas vezes efeitos  práticos são mais eficazes que o melhor CGI).
A banda sonora e efeitos sonoros são talvez o ponto mais forte e ao mesmo tempo mais subtil da obra. O realizador consegue com efeitos sonoros, música e silêncios fazer com que o espectador esteja num constante estado de inquietude, o que ajuda muito na ligação com o que se passa no ecrã (que me lembro só tive uma sensação igual na primeira vez que vi o filme de terror japonês Ringu).
Dos actores presentes (e não colocando em causa as interpretações do reduzido elenco), a grande interpretação vai para o actor principal Jack Nance. Ele consegue transpor na perfeição todas as emoções do personagem, muitas vezes sem qualquer tipo de diálogo.

Concluindo, estamos na presença de uma obra que não é para todos os espectadores, o que é uma pena.
Uma grande obra para o realizador se dar a conhecer ao cinema.

Pontuação: 78