Il Buono, il Brutto, il Cattivo

Il Buono, il Brutto, il Cattivo (1966)

http://imdb.com/title/tt0060196/

Clint Eastwood mais que um grande actor e realizador é uma lenda do cinema, talvez o último verdadeiro grande duro existente.
Tal reputação começou a ser ganha com a trilogia do homem sem nome sendo The Good, the Bad and the Ugly (nome em inglês) o maior desse trilogia.
Do lendário realizador Sergio Leone, esta obra conta a história de três pistoleiros que se encontram à procura de ouro durante a Guerra Civil Americana.
Mais do que um western, esta é uma película onde os horrores da guerra civil são apresentados de forma fria e brutal, sem que o realizador faça qualquer tipo de juízo referente a qualquer um dos lados do conflito, tentando em vez disso, focar a brutalidade e estupidez do conflito, tornando quase esse o foco principal do filme e o restante apenas um sub-plot mais "leve e cómico" (ao contrário do que possa parecer o filme tem algumas partes cómicas, em particular do personagem interpretado pelo actor Eli Wallach) .
Os westerns de Leone sempre foram sujos, brutais e, à falta de melhor termo, frios e este filme não foge à regra. Nenhum dos três pistoleiros é verdadeiramente o bom da fita (ao contrário do que o título apresenta), simplesmente as motivações e acções de cada um deles pode fazer com que o seu carácter pareça mais bondoso.
A banda sonora do filme, composta por Ennio Morricone, ganhou ela própria o estatuto de lendária e pouca gente não a conhece hoje em dia (o tema principal é bastante usado para toque de telemóvel).
Música e imagem estão majestosamente integradas e complementam-se maravilhosamente, em particular numa cena de tortura brutalmente violenta onde a música de carácter triste consegue tornar a sequência mais forte.
Sendo um filme com a lendária personagem de Clint Eastwood (mundialmente conhecido como o Homem sem Nome), seria de esperar que essa fosse a interpretação que se destacasse.
Mas na verdade é Eli Wallach com a sua personagem de Tuco que mais sobressai. O actor construí uma personagem com grande carisma,  transmitindo grande empatia com os espectadores.
Lee Van Cleef, também é excelente com a sua personagem.
A interacção entre os três personagens é um dos pontos altos do filme, permitindo ao espectador apreciar três grandes actores numa só obra.
Mais do que um western, este é uma obra essencial do cinema mundial, onde Leone mostra que os westerns podem ser muito mais que normalmente era associado ao género.

Obra visualizada no 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

Pontuação: 84

The Visit

The Visit (2015)

http://www.imdb.com/title/tt3567288

M. Night Shyamalan pode-se dar ao luxo de dizer que já viu as duas facetas de Hollywood. De menino querido e visionário (com obras como The Sixth Sense e Unbreakable) a pária e objecto de gozo (The Last Airbender e After Earth), este argumentista/realizador já caminhou pelos dois. Após os seus últimos fracassos, o realizador tenta criar um filme na onda da obra que o tornou mundialmente famoso.
Em The Visit acompanhamos dois adolescentes que vão pela primeira vez conhecer os avós maternos e que começam a observar fenómenos estranhos.
Para começar vamos já tirar a dúvida que provavelmente existe. Sendo este um filme de Shyamalan, sim existe um twist, e não, o twist é bastante previsível e descobre-se muito cedo na obra.
A utilização do chamado mockumentary (documentário ficcional), embora demasiado comum hoje em dia, está no geral bem conseguido (com excepção de uma ou outra cena).
O filme tenta uma mistura de suspense/humor que não sendo revolucionário consegue uma alternância interessante entre as duas. Grande parte dessa comédia ocorre graças ao actor Ed Oxenbould que se não sofrer do mal de jovem actor que se perde algures nas teias de Hollywood pode ter uma carreira interessante.
Neste campo, a interacção entre os dois jovens actores é bem conseguida e com o avançar do filme torna-se um dos pontos interessantes do mesmo. Os restantes actores têm interpretações competentes, não comprometendo o filme.
O grande ponto negativo da obra é o sentimentalismo que a mesma tenta incutir no espectador, existindo muitas vezes o chamado momento face palm.

M. Night Shyamalan tem aqui uma obra interessante que embora não seja revolucionária como as suas obras iniciais, também não é um desastre autêntico como as suas últimas.

P.S.:  felizmente o realizador não caiu na tentação de encher o filme de jump scares, e embora os poucos que existem não são muitos eficazes, também não irritam.

Obra visualizada no MoteLx 2015

Pontuação: 64

Rubber

Rubber (2010)

http://imdb.com/title/tt1612774/

Por vezes o cinema "cospe" conceitos e propostas tão estranhas que mesmo sabendo o quão mau são, não conseguimos deixar de ser atraídos para eles qual estrela na proximidade dum buraco negro (expressão snob fica sempre bem). Neste campo em particular Rubber é uma das propostas mais aliciantes que surgiu nos últimos tempos.
O enredo do filme é bastante simples e pode ser resumido da seguinte maneira:
- existe um pneu que mata seres vivos (incluindo pessoas);
- existe uma força policial à procura dum assassino.

Com este enredo podia ter surgido um mau filme suficientemente divertido (intencionalmente ou não) que valesse a pena ser visto, mas infelizmente estamos apenas na presença de um filme aborrecido.
O realizador (que se não me engano foi também o escritor) tenta em demasia demonstrar o non sense de toda a obra, tendo cenas forçadas e que parecem que foram feitas apenas porque sim ou para aumentar o tempo de duração (não consigo arranjar outro motivo).
Os actores são todos banais com excepção do Stephen Spinella que parece estar a divertir-se à farta com tudo aquilo.
De resto, esta é uma obra sem qualquer ponto de interesse com excepção do conceito (cheguei a dormitar em algumas partes) que muito possivelmente funcionava melhor como curta.

RIP: Wes Craven

Um mestre do terror que fez algumas das obras mais reconhecidas dos últimos 30 anos (Nightmare in Elm Street e Scream).
Podia gostar-se ou não do género e/ou da sua abordagem, mas uma coisa é certa, o mundo do terror perdeu um dos seus grandes inovadores!

"Horror films don't create fear. They release it."

1939-2015

Eraserhead

Eraserhead (1977)

http://www.imdb.com/title/tt0074486/

A linha que separa a genialidade da loucura é bastante ténue e David Lynch é capaz de ser actualmente a melhor prova viva dessa frase cliché. E nada melhor do que a sua primeira obra para comprovar essa ideia.
Eraserhead (ou na sua grandiosa tradução portuguesa "No céu tudo é Perfeito") conta a história das dificuldades da parentalidade ou talvez seja apenas uma básica história de romance cliché de Hollywood contada pela mente de Lynch ou então nada disto que acabei de dizer.
E isto é um dos grandes pontos fortes de muitas das suas obras. Elas não são fáceis.... Ou seja, não saímos de lá a entender tudo o que se passa (a maior parte das vezes é o oposto), mas ao mesmo tempo saímos com vontade de discutir o que acabamos de ver prolongando com isto o prazer do filme.
Filmado totalmente a preto e branco (não me recordo se por escolha ou simplesmente por uma questão monetária), o filme tem uma grande cinematografia onde os momentos mais estranhos e alucinados (e neste filme eles são muitos) não causam estranheza e/ou quebram o ritmo da obra.
Os efeitos práticos utilizados são excelentes e ajudam bastante no ar irreal que a obra pretende (mais uma prova que muitas vezes efeitos  práticos são mais eficazes que o melhor CGI).
A banda sonora e efeitos sonoros são talvez o ponto mais forte e ao mesmo tempo mais subtil da obra. O realizador consegue com efeitos sonoros, música e silêncios fazer com que o espectador esteja num constante estado de inquietude, o que ajuda muito na ligação com o que se passa no ecrã (que me lembro só tive uma sensação igual na primeira vez que vi o filme de terror japonês Ringu).
Dos actores presentes (e não colocando em causa as interpretações do reduzido elenco), a grande interpretação vai para o actor principal Jack Nance. Ele consegue transpor na perfeição todas as emoções do personagem, muitas vezes sem qualquer tipo de diálogo.

Concluindo, estamos na presença de uma obra que não é para todos os espectadores, o que é uma pena.
Uma grande obra para o realizador se dar a conhecer ao cinema.

Pontuação: 78

Star Wars - versão oriental

Com a estreia marcada e tão aguardada de SW: The Force Awakens, muitos têm sido os projectos artísticos que se têm debruçado sobre este saga. Não fugindo a isto, Rhythm Force é um projecto que vai buscar a técnica da xilogravura como meio de representação destes famosos personagens.
As gravuras são previamente esculpidas num bloco de madeira e "carimbadas" numa folha de papel, que é posteriormente pintada.
Para mais informações sobre o projecto, consultar o site.









Fonte: MyModernMet

Mad Max: Fury Road

Mad Max: Fury Road (2015)

http://imdb.com/title/tt1392190/

Em 1979, é lançado um filme independente australiano que iria lançar a carreira de um actor (Mel Gibson) e tornar-se num verdadeiro culto. Obviamente que falo de Mad Max. Duas sequelas depois (uma das quais com Tina Turner a liderar uma quinta de porcos) e quase 40 anos é lançado um novo filme como o nome Mad Max: Fury Road.
Realizado por George Miller, assim como todos os outros, o filme andou no carrossel do saí não saí durante algum tempo, o que deixou-me logo de pé atrás. Além disso, o primeiro trailer ficou muito aquém das expectativas e comecei a pensar que seria mais um daqueles filmes que iria tentar fazer dinheiro usando o nome de um filme famoso e o factor nostalgia. Quando o segundo trailer saiu eu estava suficientemente apático em relação à obra para ir ver, nem quando comecei a ler o quanto as pessoas ficavam empolgadas com ele. Eventualmente numa sala de cinema vi o trailer e comecei a ficar mais curioso, mas nada mais. Efectivamente fui ao cinema e após ver o filme, cheguei à conclusão que claramente os trailers conseguem fazer com que um grande filme pareça medíocre e vice versa.
Quero com isto tudo dizer que o filme é simplesmente grandioso. George Miller conseguiu pegar no legado dos filmes originais e criar algo novo e original, mas ao mesmo tempo reconhecível e familiar.
O filme não é uma sequela nem um reboot da obra, sendo mais uma re-imaginação desse universo, com elementos reconhecíveis de todos os outros filmes.
O enredo aparenta ser inexistente, mas na verdade está brilhantemente diluído no meio de tudo o que se passa no ecrã. Mais do que uma história, o filme apresenta uma distopia, e esquecendo alguns abusos bastante provável de ocorrer, sendo possível traçar muitos pontos em comum com "rituais existentes actualmente" - leia-se religião.
Visualmente, esta é simplesmente a obra mais bonita e apelativa que vi nos últimos tempos, demonstrando que ainda é possível criar mundos originais e diferentes. O realizador optou por escolher uma palete de cores vivas (em contraste com a maioria das distopias) o que confere uma cinematografia única. Com um nível de detalhe muito acima da média, é um prazer extra vermos todos os pequenos detalhes que o realizador meteu no filme.
Tem das melhores e mais originais cenas de acção que vi nos últimos tempos, dando muito pouco uso ao CGI. Quando de facto essa ferramenta é usada, o filme perde alguma da sua emoção devido a essas partes não se encaixarem bem com o resto da obra.
Tudo desde da caracterização das personagens até aos veículos construídos para o filme transpiram originalidade e é um must aguardar que novos veículos ou personagens vão surgir (o guitarrista é simplesmente sublime).
Os actores têm todos interpretações sólidas (o actor Hugh Keays-Byrne que fez de Toecutter no Mad Max original regressa como Immortan Joe). Tom Hardy tem a melhor interpretação do filme, o que não seria fácil tendo em consideração que teria de igual o já estatuto de lenda do Max de Mel Gibson. Charlize Theron foi a surpresa para mim não porque achar que é má actriz, mas por achar que a actriz estava a "mandar-se para fora de pé".

Visto que o texto já vai longo e para concluir vejam o filme. Provavelmente vão estar na presença de um dos melhores filmes do ano (e não digo isto de ânimo leve) que vai ser completamente ignorado por Hollywood. Original, violento e inteligente (sim, inteligente), o filme consegue fazer críticas a muitas situações da sociedade de forma brilhante.
A grande surpresa do ano até ao momento.

Pontuação: 80