RIP: Christopher Lee

Count Dracula, Count Dooku ou Saruman, são apenas três de muitas personagens que este famoso actor inglês interpretou.
Com uma voz inconfundível e uma presença no ecrã que só os verdadeiros grandes actores conseguem, o cinema mundial perdeu, como ele próprio referiu, o único actor de todos os que participaram na trilogia do Senhor dos Anéis que conheceu o seu escritor.
Resta a imortalidade dos grandes papéis que desempenhou!

"To be a legend, you're either got to be dead or excessively old!"

1922-2015

Ida

Ida (2013)

http://imdb.com/title/tt2718492/

Antes de ter ganho o Oscar para melhor filme de língua estrangeira, aventurei-me a ver esta obra.
No papel, o filme tem uma história interessante. Numa Polónia pós II Guerra Mundial uma rapariga que vive num convento e que está prestes a ser ordenada freira, vai conhecer a única família que lhe resta, enquanto seguimos em pano de fundo uma Polónia que tenta renascer e ao mesmo tempo lidar com os fantasmas do passado.
Ao contrário do que a maioria das pessoas acharam, achei o filme mau. É verdade que dramas não é propriamente um género que me fascine, mas já vi obras que gostei bastante ou que me interessaram.
Tudo no filme parece que foi feito para parecer arte, mas simplesmente parece-me pretencioso.
A câmara está sempre demasiado alta e passei o filme todo a imaginar a razão.
Existem close ups com momentos de silêncio (demasiados longos) que não servem para absolutamente nada de importante.
O desenvolvimento da história é monótono e algo previsível (adivinhei o fim do filme, o que não é obrigatoriamente mau quando o filme é interessante).
Basicamente, achei simplesmente o filme um exercício de ego do realizador e o desperdício de um argumento que tinha tudo para fazer uma obra interessantíssima.

Pontuação: 54

Les Vacances De Monsieur Hulot

Les Vacances De Monsieur Hulot (1953)

http://imdb.com/title/tt0046487/

Jacques Tatti, um famoso actor/realizador francês apresenta neste filme o seu mais famoso personagem Mr. Hulot.
Nota-se neste personagem uma mistura de Buster Keaton e Charlie Chaplin, embora o actor/realizador apresente um estilo próprio.
A história do filme não tem nada de especial ou original, sendo que o título exemplifica totalmente o enredo, ou seja, vamos acompanhar as férias desse personagem numa estância onde existem diversas personagens todas características à sua maneira. Essa convivência vai causar diversas situações engraçadas (a maior parte não é muito convicente), algumas causadas pelo seu personagem.
O filme está vagamente estruturado por sketches o que não abona a favor do mesmo.
O ponto alto do filme é a atenção que o realizador dá a diferentes personagens e não apenas à sua.
Um filme que provavelmente só vai interessar ao fãs do realizador.

Pontuação: 58

R2-D2 Van Style

Para todos os fãs de Star Wars, César Aguzzoli fez o que só alguns ousam imaginar. Depois de uma maratona de Guerra das Estrelas, a inspiração no seu pique, César deciciu transformar a carrinha familiar num objecto de culto. Inspirado no famoso robot R2-D2 da saga, com a ajuda de amigos e mais de 50horas de trabalho, o resultado fala por si.
Sou só eu que acho que este pequeno projecto familiar se poderia transformar num negócio bastante lucrativo?

Para quem quiser acompanhar passo por passo todo o processo, pode segui-lo aqui.




Fonte: MyModernMet

Interstellar

Interstellar (2014)

http://imdb.com/title/tt0816692/

Não sei o que achar do filme em termos de pontuação a dar, mas não vejam isto como algo mal. Simplesmente o filme não é fácil de pontuar.
Como ponto negativo é não ter o imediatismo de um Inception que nos agarra logo. Como maior ponto positivo (e tirando a normal cinematografia, elenco, etc... que é excelente), o grande ponto positivo é a capacidade que a história tem de nos deixar a pensar muito depois de o filme acabar (mais uma grande história/adaptação dos irmãos Nolan).
Não é de todo um filme perfeito e tem um ou outro "salto de fé" no argumento, mas é um filme com a mesma qualidade que Christopher Nolan já nos habituou.

Pontuação 85

P.S.: tomem atenção à grande interpretação da actriz mais nova (parece-me um nome para acompanhar).
P.S.2: Após uma segunda visualização, e ao contrário do que me pareceu a primeira vez, a banda sonora de Hans Zimmer é simplesmente sublime (como o compositor nos habituou à muito tempo).

The Room

The Room (2003)

http://imdb.com/title/tt0368226/

O cinema é capaz de ser a única arte que definiu uma classificação contraditória para algumas das suas obras. Assim, além das obras primas, dos filmes muito bons, dos bons, dos decentes, dos fraquinhos, dos maus e dos muitos maus (os termos podem variar, mas no geral deve ser mais ou menos assim), existem também os chamados tão maus que dão a volta e tornam-se bons. A classificação parece não fazer sentido, como pode um filme ser tão mau e ao mesmo tempo bom. Não querendo, nem tentando entrar muito em detalhe, os filmes que se classificam assim são tipicamente obras que falham redondamente em premissas que estavam a tentar alcançar (por exemplo, argumento, interpretações, etc...). O que difere dos filmes realmente maus é que essas falhas tornam  os filmes hilariantes e não dorolosos de ver (um exemplo de um filme realmente mau pode ser Scary Movie 5 e de um filme mau que dá a volta Sharknado).

Porquê esta explicação toda? Simplesmente para dizer que acredito que encontrei o topo desses filmes. A obra sobre a qual todos os outros "tão mau que é bom" têm de ser comparados.

The Room foi escrito, realizado e interpretado por Tommy Wiseau e é simplesmente incrível.
Não consigo ter palavras que façam justiça ao quão mau o filme é.
O argumento é do mais banal que existe, basicamente consiste num drama sobre um triângulo amoroso, que mesmo assim consegue falhar devido às motivações de cada personagem serem, e à falta de melhor adjectivo, completamente idiotas e irreais.
Os diálogos conseguem ser incoerentes, sem sentido, com falas que entram cedo demais, tarde de mais ou simplesmente não fazem qualquer sentido lá (é impressionante como uma simples cena duma florista de cerca de 1 a 2 minutos consegue fazer com que o diálogo faça pouco sentido).
O filme está cheio de cenas que não avançam em nada o argumento, servindo só para aumentar a duração do mesmo, e que ocorrem do nada deixando o espectador com a sensação que o editor trocou as mãos e juntou vários maus filmes diferentes.
Os cenários e fotografia são tão banais e desinteressantes que não me lembro de dizer mais nada sobre eles.
As interpretações são fracas, mesmo fracas, não existindo um único, chamemos "actor" (não investiguei mas quero acreditar que sejam todos ainda estudantes de representação) que consiga ter uma cena onde possa dizer que representou. Posso na verdade estar a ser muito bruto, porque eu respeito a forma como tentaram "representar" os diálogos de forma séria.
Mas o que torna este filme no topo dos "maus que são bons" é a representação do seu actor principal. Se The Dark Knight teve Heath Ledger (um exemplo de interpretação que tornou o filme uma obra prima), então The Room tem o próprio Tommy Wiseau.
A sua representação, e estou a usar a palavra livremente porque o que ele fez foi tudo menos representar, foi tão horrívelmente bela, tão dolorosamente engraçada, tão incrivelmente má, que acredito verdadeiramente que ele inventou sozinho um novo método de não-representação (será que esta palavra existe?). Gostava de conseguir detalhar a sua  não-representação, mas não iria conseguir transpor nem tão pouco aproximar-me dessa obra prima em palavras, o que fará sentido neste caso dizer que uma imagem vale mais que 1000 palavras.
Se já tudo isto seria suficiente, o filme também contém cenas que servem ao nobre propósito de serem imitadas até à exaustão (como todas as grandes obras têm).

Para concluir, vejam este filme.
Na companhia de amigos e com alguma bebida, esta é capaz de ser uma das obras mais cómicas que alguma vez viram (tendo grande potencial para os chamados drinking games).

Espero ansiosamente pela peça de teatro!!!!

Pontuação: 2
Factor de diversão: 10

Mr. Turner

Mr. Turner (2014)

http://imdb.com/title/tt2473794/

Obras biográficas não fazem normalmente o meu género de cinema e posso contar pelos dedos de uma mão os que gostei (actualmente só me lembro do filme Lincoln). Assim quando fui ver este filme, ia sem nenhumas expectativas.
Começando pelo que salta logo à vista, os cenários e vestuários da época estão todos muito bem conseguidos e a nomeação para o Oscar é inteiramente merecida.
A história acredito que seja interessante para os fãs do género mas para mim foi algo aborrecida, tendo estado sempre com a sensação que não se passava nada.
O verdadeiro ponto positivo do filme é a interpretação do actor principal (Timothy Spall). Ele funde-se totalmente na personagem (não me chocava nada se tivesse sido nomeado para o Oscar). O resto do elenco tem prestações sólidas, mas visto à distância (vi o filme à algum tempo), só me consigo recordar verdadeiramente de Timothy Spall (em particular de um tique muito próprio que a personagem tinha).
Um drama biográfico de época que embora não surpreenda deve satisfazer os fãs do género.

Pontuação: 63